A obra Casa da Roda apresenta uma reflexão crítica sobre o próprio passado de colonização de corpos negros para nutrirem crianças brancas enjeitadas e salvar a honra das famílias na corte imperial brasileira do século XIX. Vemos um grafismo mamário dominante sobre a maior parte da tela, criado para representar a intrincada maquinaria de extração de leite dos corpos negros. Vemos também a cidade do Rio de Janeiro que o artista sugere ser onde estão os bebês brancos beneficiários dessa extração curiosamente divididos por uma fronteira vermelha questionando o acesso entre essas duas realidades. A fronteira vermelha sugere que o bebê negro possa estar isolado do fluxo da extração.
Casa da Roda manipula símbolos e conceitos do passado escravista brasileiro, tendo como base os registros e documentos da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O retratar aqui não é apenas dar visibilidade às mulheres negras ou pardas, cativas e em idade de procriação e aleitamento, mas também os dispositivos do sistema político e social da cultura euro-brasileiro, que construíram um método para nutrir crianças brancas enjeitadas pelas “boas” e “más” famílias na capital da corte. A Santa Casa contratava os corpos negros para alimentar e criar os bebês brancos, alguns mestiços, que pelo trabalho recebiam os proprietários, locadores e locatários.





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